terça-feira, julho 12, 2011


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Quem me dera se eu ainda fosse uma criança.


Se eu pudesse acordar, sair correndo para a sala segurando meu cobertor, ligar a televisão e assistir meu desenho. Quem dera se eu cantasse apenas Xuxa, Eliana ou mesmo Barnie. Quem dera se eu ainda chorasse apenas por causa do shampoo que entrava no meu olho ou mesmo se meus machucados fossem apenas no joelho, por causa da bicicleta. Quem dera se minha obrigação fosse apenas fazer um desenho bonito em Artes. Quem dera se eu tivesse medo de me machucar por causa do Merthiolate, que ainda ardia. Quem dera eu visse a vida como um conto de fadas. Quem dera se eu ainda preferisse assistir filme da Barbie ao assistir filme de romance. Quem dera se eu achasse fofinho a mocinha ficar com o mocinho no final do filme, ao invés de chorar e desejar que aquilo acontecesse comigo. Quem dera se meu único medo ao dormir era de aparecer um fantasma ou mesmo se meus pesadelos fossem de olhos fechados. Quem dera se eu pudesse dormir na cama da minha mãe e o abraço dela me fizesse esquecer de tudo. Quem dera se minha mãe conseguisse me pegar no colo ainda. Quem dera se eu conseguisse perdoar como eu perdoava antes, quem dera se eu fizesse amigos como fazia antes, quem dera se eu ainda vivesse um sonho. Mariana Tarifa  ("Abstinência de Amor)

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